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Devocional · Oração

Quando você ora escondido e acha que é pouco

Para a oração feita de madrugada ou na beira da cama, que ninguém vê. Jesus diz que o Pai já está nesse lugar e chama você a guardar esse encontro.

Jesus fala com quem ora sem ser visto

Ainda está escuro lá fora. A casa dorme, e você se senta à mesa com a Bíblia aberta, antes que o dia comece a pedir coisas. Em outros dias, é à noite, na beira da cama, depois que a última luz se apaga. Ninguém sabe desses minutos. Você não conta a ninguém. E, no fundo, acha que é pouco perto da vida de oração que gostaria de ter.

Jesus fala desse lugar no Sermão do Monte. Ele fala de três práticas de quem teme a Deus: ajudar quem precisa, orar e jejuar. Para as três, dá um só aviso:

“Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles.” (Mateus 6:1, NVI)

Repare como começa o versículo do topo: “Mas quando você orar”. Jesus conta com a oração dos seus discípulos. Ela faz parte da vida deles como o pão de cada dia. O que ele examina é o coração de quem ora.

Havia quem gostasse de orar “em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros” (Mateus 6:5, NVI). Jesus diz deles uma frase séria: “Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa” (Mateus 6:5, NVI). Queriam o olhar das pessoas e receberam. Foi tudo o que tiveram.

Então Jesus se volta para cada um que o ouve. Agora é com você.

Vá para o seu quarto e feche a porta

Leia devagar o que Jesus manda fazer. São três gestos: ir, fechar, orar.

Ir para o quarto é deixar alguma coisa para trás. A conversa, o trabalho, a pressa. A palavra que ele usa indicava um cômodo interno da casa, onde também se guardavam provisões. John Stott, seguindo o comentarista R. V. G. Tasker, lembra que era ali que se podiam guardar tesouros, e sugere que talvez já haja tesouros à nossa espera quando oramos.

Fechar a porta é escolher. Ela deixa do lado de fora os olhares dos outros e ajuda a calar o barulho que levamos por dentro. Ninguém fecha uma porta por acaso. É um gesto de quem decidiu que aquele tempo pertence a Deus.

O próprio Senhor Jesus viveu assim: “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando” (Marcos 1:35, NVI). Se o Filho de Deus buscava a madrugada para estar a sós com o Pai, quanto mais nós, que somos fracos e nos distraímos com tão pouco.

Por isso a oração escondida que você faz tem valor aos olhos de Deus. Ela é o começo do que Jesus descreve. E ele chama você a dar a esse encontro um lugar e uma hora, e a guardá-los como se guarda o que é precioso. Talvez hoje sejam poucos minutos. Seja fiel a eles e peça ao Pai que os alargue.

O Pai que vê em secreto

O versículo diz duas coisas sobre o Pai. Ele “está em secreto”. Ele “vê em secreto”. Antes que você feche a porta, ele já está do lado de dentro.

Stott descreve esse olhar com ternura: Deus nos vê como o Pai amoroso que está sempre procurando ocasiões para nos abençoar, e, quando entramos no quarto, ele já está lá, esperando para nos acolher. Ele não nos espia à espera de uma falha.

E Jesus acrescenta, logo depois: “o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem” (Mateus 6:8, NVI). Então oramos para quê? Oramos porque a oração é encontro. O Pai conhece o pedido antes de ele chegar aos lábios. E quer ouvir a nossa voz.

A recompensa de que Jesus fala vem da graça. Nada de dinheiro nem de prêmio por esforço. Stott lembra que a única recompensa que o cristão deseja é a bênção do próprio Pai: a certeza, dada pelo Espírito, de que somos filhos de Deus, a luz do seu rosto e a sua paz, a alma refeita. Quem ora em secreto sai do quarto mais perto do Pai.

Escondido, e nunca sozinho

Logo depois de falar do quarto, Jesus ensina uma oração no plural: “Pai nosso, que estás nos céus!” (Mateus 6:9, NVI). Stott observa que a ênfase no segredo não deve ser levada ao extremo. Se toda oração fosse escondida, teríamos de deixar o culto, a oração em família e as reuniões de oração. O quarto fechado prepara você para voltar à mesa dos irmãos e dizer “nosso” com o coração mais inteiro.

Para viver hoje

Escolha hoje o seu quarto para amanhã. Um lugar e uma hora de verdade: a mesa antes de a casa acordar, a cadeira perto da janela, a beira da cama à noite. Deixe a Bíblia ali. Quando chegar a hora, vá, feche a porta que der para fechar, leia alguns versículos e fale com o Pai, que já está esperando. Se forem poucos minutos, que sejam inteiros e só dele. E guarde esse encontro entre você e o Pai.

Oração

Pai, obrigado porque tu já estás no quarto antes de mim. Tu vês a oração que ninguém vê e não a desprezas. Perdoa-me pelas vezes em que deixei o nosso encontro para depois. Ensina-me a ir, a fechar a porta e a ficar contigo sem pressa. Livra-me da vontade de ser visto e também do desânimo de achar que é pouco. Faz crescer em mim o desejo de estar contigo. E, quando eu sair desse lugar escondido, que eu volte para os meus irmãos lembrando que tu és o Pai nosso. Em nome de Jesus. Amém.

Continue a leitura.

Se quiser ficar mais tempo com a oração de quem vive perto de Jesus, o estudo de João 15 mostra o que é permanecer nele, dia após dia.