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Estudo bíblico · Graça e segurança

Romanos 8: nenhuma condenação, nenhuma separação

Romanos 8 começa com “nenhuma condenação” e termina dizendo que nada nos poderá separar do amor de Deus. Um estudo para quem sabe o versículo 1 de cor e ainda se sente réu, ou lê o próprio sofrimento como sinal de que Deus se afastou.

Antes de começar

Este estudo caminha por Romanos 8 em quatro movimentos, da sentença retirada ao amor que nada rompe.

  1. A sentença: em Cristo, não resta condenação (8:1-4).
  2. O Espírito: quem é de Cristo tem o Espírito, e ele habita em nós (8:5-11).
  3. A adoção: de réus a filhos, que clamam “Aba, Pai” (8:12-17).
  4. A pergunta final: quem condenará, e o que poderá nos separar do amor de Deus (8:31-39).
Carta em papiro e pena sobre uma mesa de madeira, à luz de uma lamparina, numa noite em Corinto

Introdução

Talvez você saiba Romanos 8:1 de cor. Já sublinhou o versículo e o ouviu em muitas pregações. E há noites em que ele parece falar de outra pessoa.

Você se arrependeu, confessou, e na semana seguinte caiu no mesmo lugar. Com a Bíblia fechada sobre a mesa, veio uma conclusão mais pesada do que a queda: talvez eu nunca tenha sido salvo de verdade.

Ou a sua luta é outra: uma doença, um luto. E a dor começou a soar como sinal de que Deus se afastou. Este estudo de Romanos 8 foi escrito para esses dois momentos. Abra a Bíblia no capítulo, sem pressa.

Olhe primeiro as duas pontas. A primeira frase diz que “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. A última diz que nada “nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:39, ACF). Nenhuma condenação na entrada, nenhuma separação na saída. Entre as duas, Paulo fala de aflições, de fome e de espada, e mostra uma segurança que permanece de pé dentro do sofrimento.

Na Almeida Corrigida Fiel, o versículo 1 termina com uma frase que outras versões trazem só no versículo 4. Voltaremos a ela com calma.

Contexto bíblico

Paulo escreveu esta carta provavelmente por volta de 56 ou 57 d.C., da região de Corinto (Romanos 15:25-26; 16:1; 16:23). Escrevia a uma igreja que ainda não conhecia (1:10-13), formada por judeus e gentios, com tensões entre eles que os capítulos 14 e 15 procuram curar.

Por volta de 49 d.C., o imperador Cláudio expulsou judeus de Roma. O historiador Suetônio registra a expulsão, e Lucas conta que Áquila e Priscila tinham vindo da Itália “pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma” (Atos 18:2, ACF). Cláudio morreu em 54, e Nero o sucedeu. Quando Paulo escreve Romanos, o casal já está de volta a Roma: “Saudai a Priscila e a Áquila” (Romanos 16:3, ACF). Muitos estudiosos pensam que essa saída e esse retorno ajudam a entender as tensões daquela igreja.

Seguir Jesus em Roma podia custar rejeição, perdas e hostilidade, e a carta fala de perseguidores: “Abençoai aos que vos perseguem” (Romanos 12:14, ACF). Em 64 d.C., alguns anos depois da carta, viria a perseguição de Nero, após o incêndio de Roma, como registra o historiador Tácito. Romanos não responde a ela. Para aquela igreja, “nem a morte” (Romanos 8:38, ACF) não seria figura de linguagem.

  1. Por volta de 49 d.C.: o imperador Cláudio expulsa judeus de Roma. Áquila e Priscila chegam a Corinto, onde encontram Paulo (Atos 18:2).
  2. 54 d.C.: morre Cláudio. Nero se torna imperador.
  3. Por volta de 56 ou 57 d.C.: Paulo escreve a carta aos Romanos, da região de Corinto.
  4. 64 d.C.: incêndio de Roma. Nero culpa os cristãos e os persegue (Tácito, Anais 15.44).
Rua de Roma no século I ao amanhecer, com casas simples de pedra
Roma, para onde Paulo escreveu, por volta de 56 ou 57 d.C.

O “portanto” que abre Romanos 8

Romanos 8 começa com “Portanto, agora”, e esse “portanto” recolhe o que veio antes. Todos pecaram, e o pecador é justificado pela fé, como Abraão foi (capítulos 1 a 4). O justificado tem paz com Deus (5:1). E o capítulo 7 termina num grito:

“Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24, ACF)

Cristãos sérios divergem há séculos sobre quem é o “eu” de Romanos 7: o crente em luta ou alguém ainda sob a lei. Seja qual for a leitura, o capítulo 8 responde ao grito: há libertação, em Cristo e pelo Espírito.

Em Cristo, a sentença foi retirada (Romanos 8:1-4)

“Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” (Romanos 8:2, ACF)

“Condenação” é palavra de tribunal. Designa a sentença que declara alguém culpado e a pena que vem com ela. Pense num réu de pé diante do juiz, à espera da decisão. Para os que estão em Cristo Jesus, diz o apóstolo, não resta nenhuma.

A segurança começa num lugar, e esse lugar é uma pessoa. Estar em Cristo é estar unido a ele pela fé, a mesma união que o Senhor Jesus descreveu com a imagem da videira e dos ramos.

O que a lei não podia fazer, Deus fez

A lei mostrava o caminho, mas estava “enferma pela carne” e não dava força para andar nele. O que era impossível à lei, Deus fez: enviou o seu Filho “em semelhança da carne do pecado” e “condenou o pecado na carne” (Romanos 8:3, ACF). O verbo “condenou” é da mesma família de “condenação”. A sentença foi pronunciada e executada sobre o pecado, na humanidade que o Filho assumiu, e por isso já não pesa sobre quem está nele. A absolvição do crente descansa num julgamento que já aconteceu, na cruz.

A frase final do versículo 1

Agora podemos olhar a frase que a ACF traz no fim do versículo: “que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Para quem lê com o coração pesado, ela soa como condição: só não há condenação se eu andar certo. O argumento de Paulo desfaz essa leitura.

A base da absolvição está no começo do versículo, “os que estão em Cristo Jesus”, e o versículo 3 diz por quê. A frase final descreve como vivem os que estão em Cristo, e o versículo 4 mostra a ordem: ali a mesma frase aparece, em todas as versões, como fruto do que Deus fez, “para que a justiça da lei se cumprisse em nós” (Romanos 8:4, ACF).

E o versículo 9 diz quem são essas pessoas: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós” (Romanos 8:9, ACF). Andar segundo o Espírito é o rumo da vida de quem tem o Espírito, com quedas e retornos, numa luta travada “pelo Espírito” (8:13). Ninguém precisa de uma semana sem tropeço para caber neste versículo.

João Calvino, no seu comentário a Romanos, lia essa frase como retrato de quem une o arrependimento à fé, sem supor que a carne já tenha sido eliminada. E dizia que as consciências trêmulas encontram ali uma fortaleza invencível, porque, permanecendo em Cristo, estão fora de todo perigo de condenação. A frase também guarda o versículo de outro engano: impede que alguém faça da graça licença para viver como quiser.

Uma nota sobre os manuscritos

A ACF segue uma família de manuscritos gregos que traz, já no versículo 1, a mesma frase que todas as versões trazem no versículo 4. Versões como a Almeida Revista e Atualizada (ARA) e a Nova Versão Internacional (NVI) seguem manuscritos mais antigos, que não a têm nesse ponto e terminam o versículo em “Cristo Jesus”. Nas duas leituras o ensino é o mesmo, porque a frase está no capítulo de qualquer maneira. E nas duas a absolvição descansa em Cristo e no que Deus fez nele (8:3).

O Espírito habita em quem é de Cristo (Romanos 8:5-11)

“Carne”, em Paulo, é o ser humano entregue a si mesmo, fechado para Deus. Os versículos 5 a 8 descrevem dois modos de existir. A inclinação da carne é morte e “inimizade contra Deus”; a do Espírito “é vida e paz” (Romanos 8:6-7, ACF).

Quem vive com a consciência aflita costuma ler esses versículos como prova semanal: esta semana inclinei para a carne, logo não sou de Cristo. Paulo descreve dois domínios e diz onde estão os cristãos: vós estais no Espírito, porque o Espírito de Deus habita em vós. Todo aquele que pertence a Cristo tem o Espírito, pois “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9, ACF).

O mesmo Espírito é chamado “Espírito de Deus” e “Espírito de Cristo”. É o Espírito Santo, o próprio Deus, que faz morada em quem crê. A luta continua, e a obediência nasce dessa presença. E o corpo, que ainda adoece e cansa, também tem esperança: o Espírito que ressuscitou Jesus “também vivificará os vossos corpos mortais” (Romanos 8:11, ACF).

De réus a filhos (Romanos 8:12-17)

Paulo faz uma advertência séria: “se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Romanos 8:13, ACF). A graça não baixa o padrão. O pecado precisa ser mortificado, isto é, levado à morte, e isso pede vigilância, confissão, oração e o alimento diário da Palavra. Mas vós o mortificais “pelo Espírito”, diz o apóstolo, com a força de outro, como filhos que contam com o socorro do Pai.

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Romanos 8:15-16, ACF)

Do tribunal para a casa

O capítulo começou num tribunal e agora está dentro de uma casa. Um réu absolvido pode sair livre e continuar um estranho para o juiz. Em Cristo, o Juiz que retirou a sentença leva o absolvido para a família e o chama de filho. Muitos cristãos vivem a fé como réus em liberdade condicional. Vós não recebestes esse espírito, diz Paulo.

“Aba, Pai”

“Aba” é a palavra aramaica para “pai”. Ela aparece só três vezes no Novo Testamento. Uma delas está nos lábios do próprio Senhor Jesus, no Getsêmani, na noite em que foi entregue: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis” (Marcos 14:36, ACF). Nas outras duas (Romanos 8:15; Gálatas 4:6), é o Espírito quem põe essa palavra na boca dos filhos.

A palavra com que o Filho orou naquela noite é a mesma que o Espírito ensina você a dizer. É palavra de família, com intimidade e reverência. E nós a “clamamos”: ela sai também como grito, quando não resta outra oração.

O testemunho que não depende do humor

A certeza da adoção tem uma testemunha que vem de fora das nossas oscilações. Há dias em que o seu coração dirá outra coisa; o Espírito continua a testificar: filho. E, se filhos, herdeiros, “herdeiros de Deus, e coerdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos” (Romanos 8:17, ACF). O sofrimento entra no capítulo antes da glória, e entra ao lado de Cristo. O versículo seguinte fala das “aflições deste tempo presente” (Romanos 8:18, ACF), e os versículos 18 a 30 merecem um estudo próprio. Seguimos para o fecho do capítulo.

Quem condenará, se é Deus quem justifica? (Romanos 8:31-34)

“Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e o que também intercede por nós.” (Romanos 8:31-34, ACF)

O tribunal se reabre. Deus já deu o dom maior, o próprio Filho, e quem entregou o Filho não vai reter o que for preciso para levar os filhos para casa. As acusações podem vir da memória, da consciência, das pessoas. O tribunal que decide, porém, é o de Deus, e “É Deus quem os justifica”.

“Quem é que condena?” O verbo é o mesmo do versículo 3. Paulo responde com quatro degraus, todos sobre Cristo: morreu, ressuscitou, está à direita de Deus e intercede por nós. A morte pagou a dívida, a ressurreição proclamou a vitória, e ele vive “sempre para interceder” pelos seus (Hebreus 7:25, ACF).

Veja como a Trindade inteira sustenta a certeza de quem está em Cristo. O Pai não poupou o Filho e justifica. O Filho morreu, ressuscitou e intercede. O Espírito habita em nós e testifica que somos filhos. A sua segurança se apoia em Deus, e Deus não muda com o seu humor.

Cárcere de pedra escura em Filipos, com um tronco de madeira para prender os pés, iluminado por uma abertura alta
Paulo escreveu sobre tribulação e perigo depois de conhecer prisões como a de Filipos (Atos 16:24).

Nada nos separará do amor de Deus (Romanos 8:35-39)

Já sabemos que ninguém pode condenar quem está em Cristo. Resta uma pergunta mais funda:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Romanos 8:35, ACF)

Uma lista que Paulo conhecia por dentro

Eram situações concretas, e Paulo já tinha passado por muitas delas. Pouco antes de escrever Romanos, contou aos coríntios que vivia “em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez” (2 Coríntios 11:27, ACF). Em Filipos, tinha sido açoitado com varas e preso com os pés no tronco (Atos 16:22-24). Na Ásia, chegou a desesperar da própria vida (2 Coríntios 1:8). A espada, ele não diz que tenha enfrentado; ela nomeia a morte violenta, que ainda podia vir.

O Salmo 44: sofrer sem ter sido abandonado

“Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro.” (Romanos 8:36, ACF)

Paulo cita o Salmo 44:22, em que o povo de Deus sofre sem ter abandonado a Deus. O salmista afirma que eles não se esqueceram do Senhor nem foram infiéis à aliança (Salmo 44:17-18), e ainda assim eram tratados como ovelhas para o matadouro, “por amor de ti”.

Paulo não explica cada sofrimento. Ele põe a dor dos cristãos na linha do povo fiel de outros tempos. O sofrimento pode alcançar quem pertence a Deus, e quando alcança, não prova que Deus se afastou.

Mais do que vencedores, dentro da tribulação

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Romanos 8:37, ACF)

Repare onde a vitória acontece: “em todas estas coisas”, dentro da tribulação, da fome e da espada. O verbo, único no Novo Testamento, é “vencer” com um prefixo que indica excesso, e está no presente. Quem pertence a Cristo vence por completo, agora, no meio do que o ameaça.

A vitória de que Paulo fala é a de uma relação que nenhuma circunstância rompe, nem a morte, e ela vem “por aquele que nos amou”. Riqueza, cura garantida e vida sem problemas ficam fora do que ele escreveu.

Nada em toda a criação

“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8:38-39, ACF)

“Estou certo”, diz o apóstolo, e percorre a realidade inteira: a existência, o mundo espiritual, o tempo, o espaço. E, para não deixar brecha, “nem alguma outra criatura”.

Tudo o que existe, fora Deus, é criatura. Nada criado tem poder para desfazer o que o Criador decidiu, e o Criador é aquele que não poupou o próprio Filho para ter você consigo. Se hoje você chora alguém que morreu em Cristo, “nem a morte” quer dizer que a morte não separou do amor de Deus quem você ama.

Do primeiro ao último versículo

O versículo 1 fala dos que estão “em Cristo Jesus”. O versículo 39 fala do amor de Deus, “que está em Cristo Jesus nosso Senhor”. O capítulo começa e termina no mesmo endereço, e nada do que fica entre as duas pontas desfaz a primeira e a última frase.

Princípios do texto

  1. Em Cristo não resta condenação, porque Deus condenou o pecado na carne do seu Filho (8:1-3).
  2. Andar segundo o Espírito é fruto dessa obra e rumo da vida de quem é de Cristo (8:4, 9, 13).
  3. O Pai, o Filho e o Espírito sustentam a certeza do crente (8:14-16, 31-34).
  4. O sofrimento pode alcançar os filhos de Deus sem ser sinal de abandono (8:35-39).

Aplicação prática

Quando o coração acusa

A convicção que vem do Espírito aponta um pecado concreto, chama ao arrependimento e leva você de volta ao Pai. A condenação fica vaga, acusa a sua pessoa inteira e tenta convencer você de que deixou de ser filho. A primeira fala com a voz do “Aba, Pai”. A segunda, com a do “espírito de escravidão” que os filhos não receberam.

Quando o seu coração acusar um pecado já confessado, leve a acusação ao tribunal certo:

“Porque, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.” (1 João 3:20, ACF)

E quando houver pecado de verdade, vá ao Pai sem demora:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (1 João 1:9, ACF)

O arrependimento é o caminho de volta para casa. Diga ao Pai o que fez, pelo nome, e receba o perdão que ele prometeu. Depois, retome o caminho: a Bíblia aberta pela manhã, a oração de cada dia, a comunhão com os irmãos. Mortificar o pecado é trabalho de toda a vida, e você o faz como filho, pelo Espírito.

Você não é o primeiro a lutar assim: o Irmão Lourenço viveu quatro anos atormentado pelo medo de ser condenado. Se a culpa volta mesmo depois do arrependimento, o artigo Você já pediu perdão e a culpa continua? traz passos simples para essa hora.

Quando o sofrimento parece abandono

Talvez você leia este estudo num quarto de hospital, ou na primeira semana depois de uma despedida. Este texto não vai tentar explicar a sua dor; Paulo também não explicou a dele. Mas escreveu “estou certo” depois de conhecer a fome, as varas e o perigo de morte.

Quando a dor parecer uma resposta, leia Romanos 8:35-39 devagar e coloque a sua situação dentro da lista. Ela cabe ali, entre a tribulação, a angústia, o perigo ou “alguma outra criatura”. E nenhuma dessas coisas tem poder para separar você do amor de Deus. Ore com a palavra que o Espírito lhe dá, o mesmo “Aba, Pai” com que o Senhor Jesus orou no Getsêmani.

Às vezes, a culpa que não passa e a tristeza que não vai embora pedem também outro cuidado. Converse com o seu pastor e procure ajuda profissional; o artigo Cristãos também ficam deprimidos fala disso com calma.

Perguntas para reflexão

  1. Quando você lê Romanos 8:1, em que costuma se apoiar: no que Deus fez em Cristo ou no saldo da sua última semana?
  2. Como a ordem dos versículos 3 e 4 muda a sua leitura da frase final do versículo 1?
  3. Em que momentos você vive a fé como réu à espera de sentença? O que muda quando você ora “Aba, Pai”?
  4. Isso que estou enfrentando tem poder suficiente para me separar do amor de Deus?

Oração

Pai, tu não poupaste o teu próprio Filho, mas o entregaste por nós. Eu te agradeço porque em Cristo Jesus não há condenação para mim. Quando o meu coração me acusar, lembra-me de que tu és maior do que ele. Enche-me do teu Espírito, para que eu mortifique o pecado e ande segundo o Espírito. Nas horas de aflição, ensina-me a clamar “Aba, Pai”, como o teu Filho orou. E guarda em mim a certeza de que nada poderá me separar do teu amor, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém.

Continue estudando.

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